Em
um julgamento importantàssimo a Primeira Turma do STJ decidiu que o substituàdo
tributário tem direito à fruição de crédito de PIS e COFINS sobre o valor pago
na etapa anterior a tàtulo de ICMS – Substituição Tributária (ICMS-ST), posto
que trata-se de custo de aquisição da mercadoria (Recurso Especial nº 1.428.247
– RS).
A
Relatora para acórdão, Ministra Regina Helena Costa, partindo da premissa que a
não cumulatividade do PIS e da Cofins difere da não cumulatividade do IPI e
ICMS, pois concessão do crédito fiscal não tem vànculo com o valor
pago nas etapas anteriores (método substrativo indireto), admitiu a
possibilidade do crédito.
Nas
palavras da Ministra, “o direito ao creditamento independe
da ocorrência de tributação na etapa anterior, vale dizer, não está vinculado à
eventual incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a parcela
correspondente ao ICMS-ST na operação de venda do substituto ao substituàdo.
Isso porque, sendo o fato gerador da substituição tributária prévio e
definitivo, o direito ao crédito do substituàdo decorre, a rigor, da repercussão
econômica do ônus gerado pelo recolhimento antecipado do imposto estadual
atribuàdo ao substituto, compondo, desse modo, o custo de aquisição da
mercadoria adquirida pelo revendedor”�.
De
fato, o ICMS-ST retido pelo fornecer do substituàdo tributário, faz parte
do custo de aquisição da mercadoria, porque não é recuperável. Dessa forma,
pode haver o creditamento de PIS e da Cofins.
Destaco
que apesar da decisão ser muito importante, a jurisprudência sobre a questão
ainda não está consolidada.
Segue
ementa do julgado:
TRIBUTà�RIO.
RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE.
CONTRIBUIÇàO AO PIS E COFINS. NàO CUMULATIVIDADE. ICMS – SUBSTITUIÇàO
TRIBUTà�RIA PROGRESSIVA (ICMS-ST). AQUISIÇàO DE BENS PARA REVENDA POR EMPRESA
SUBSTITUà�DA. BASE DE Cà�LCULO DO CRÉDITO. INCLUSàO DO VALOR DO IMPOSTO ESTADUAL.
LEGALIDADE. CREDITAMENTO QUE INDEPENDE DA TRIBUTAÇàO NA ETAPA ANTERIOR. CUSTO
DE AQUISIÇàO CONFIGURADO.
I
– Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em
09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do
provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, in casu, o Código de Processo
Civil de 1973.
II
– A 1ª Turma desta Corte assentou que a disposição do art. 17 da Lei n.
11.033/2004, a qual assegura a manutenção dos créditos existentes de
contribuição ao PIS e da COFINS, ainda que a revenda não seja tributada, não se
aplica apenas à s operações realizadas com os destinatários do benefàcio fiscal
do REPORTO. Por conseguinte, o direito ao creditamento independe da ocorrência
de tributação na etapa anterior, vale dizer, não está vinculado à eventual
incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a parcela correspondente ao
ICMS-ST na operação de venda do substituto ao substituàdo.
III
– Sendo o fato gerador da substituição tributária prévio e definitivo, o
direito ao crédito do substituàdo decorre, a rigor, da repercussão econômica do
ônus gerado pelo recolhimento antecipado do ICMS-ST atribuàdo ao substituto,
compondo, desse modo, o custo de aquisição da mercadoria adquirida pelo
revendedor.
IV
– A repercussão econômica onerosa do recolhimento antecipado do ICMS-ST, pelo
substituto, é assimilada pelo substituàdo imediato na cadeia quando da
aquisição do bem, a quem, todavia, não será facultado gerar crédito na saàda da
mercadoria (venda), devendo emitir a nota fiscal sem destaque do imposto
estadual, tornando o tributo, nesse contexto, irrecuperável na escrita fiscal,
critério definidor adotado pela legislação de regência.
V
– Recurso especial provido.
FONTE: tributarionosbastidores.com.br - Autora: Amal Nasrallah