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STJ admite créditos de PIS e Cofins sobre ICMS-ST

26.11.2019

Em um julgamento importantà­ssimo a Primeira Turma do STJ decidiu que o substituà­do tributário tem direito à  fruição de crédito de PIS e COFINS sobre o valor pago na etapa anterior a tà­tulo de ICMS – Substituição Tributária (ICMS-ST), posto que trata-se de custo de aquisição da mercadoria (Recurso Especial nº 1.428.247 – RS).

A Relatora para acórdão, Ministra Regina Helena Costa, partindo da premissa que a não cumulatividade do PIS e da Cofins difere da não cumulatividade do IPI e ICMS, pois concessão do crédito fiscal não tem và­nculo com o valor  pago nas etapas anteriores (método substrativo indireto), admitiu a possibilidade do crédito.

Nas palavras da Ministra, “o direito ao creditamento independe da ocorrência de tributação na etapa anterior, vale dizer, não está vinculado à  eventual incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a parcela correspondente ao ICMS-ST na operação de venda do substituto ao substituà­do. Isso porque, sendo o fato gerador da substituição tributária prévio e definitivo, o direito ao crédito do substituà­do decorre, a rigor, da repercussão econômica do ônus gerado pelo recolhimento antecipado do imposto estadual atribuà­do ao substituto, compondo, desse modo, o custo de aquisição da mercadoria adquirida pelo revendedor”�.

De fato, o ICMS-ST retido pelo fornecer do substituà­do tributário, faz parte do custo de aquisição da mercadoria, porque não é recuperável. Dessa forma, pode haver o creditamento de PIS e da Cofins.

Destaco que apesar da decisão ser muito importante, a jurisprudência sobre a questão ainda não está consolidada.

Segue ementa do julgado:

TRIBUTà�RIO. RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. CONTRIBUIÇàO AO PIS E COFINS. NàO CUMULATIVIDADE. ICMS – SUBSTITUIÇàO TRIBUTà�RIA PROGRESSIVA (ICMS-ST). AQUISIÇàO DE BENS PARA REVENDA POR EMPRESA SUBSTITUà�DA. BASE DE Cà�LCULO DO CRÉDITO. INCLUSàO DO VALOR DO IMPOSTO ESTADUAL. LEGALIDADE. CREDITAMENTO QUE INDEPENDE DA TRIBUTAÇàO NA ETAPA ANTERIOR. CUSTO DE AQUISIÇàO CONFIGURADO.

I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, in casu, o Código de Processo Civil de 1973.

II – A 1ª Turma desta Corte assentou que a disposição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004, a qual assegura a manutenção dos créditos existentes de contribuição ao PIS e da COFINS, ainda que a revenda não seja tributada, não se aplica apenas à s operações realizadas com os destinatários do benefà­cio fiscal do REPORTO. Por conseguinte, o direito ao creditamento independe da ocorrência de tributação na etapa anterior, vale dizer, não está vinculado à  eventual incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a parcela correspondente ao ICMS-ST na operação de venda do substituto ao substituà­do.

III – Sendo o fato gerador da substituição tributária prévio e definitivo, o direito ao crédito do substituà­do decorre, a rigor, da repercussão econômica do ônus gerado pelo recolhimento antecipado do ICMS-ST atribuà­do ao substituto, compondo, desse modo, o custo de aquisição da mercadoria adquirida pelo revendedor.

IV – A repercussão econômica onerosa do recolhimento antecipado do ICMS-ST, pelo substituto, é assimilada pelo substituà­do imediato na cadeia quando da aquisição do bem, a quem, todavia, não será facultado gerar crédito na saà­da da mercadoria (venda), devendo emitir a nota fiscal sem destaque do imposto estadual, tornando o tributo, nesse contexto, irrecuperável na escrita fiscal, critério definidor adotado pela legislação de regência.

V – Recurso especial provido.

FONTE: tributarionosbastidores.com.br - Autora: Amal Nasrallah

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