A Ricardo Eletro conseguiu uma decisão administrativa da Receita
Federal que considerou as despesas com publicidade e propaganda como
“essenciais”� e “relevantes”� para o comércio varejista. Assim, ela equiparou
tais custos com insumos geradores de créditos de PIS e Cofins, usados para
abater débitos tributários.
Com o entendimento favorável da 1ª Turma da Delegacia da Receita
Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora (MG), a empresa conseguiu
reduzir um auto de infração de R$ 258 milhões para R$ 125 milhões, segundo o
advogado Rafael Fabiano, do Leonardo Naves Direito de Negócios, que
assessorou a rede Ricardo Eletro no processo.
De acordo com Fabiano, esta é a primeira decisão que considera
despesas com publicidade e propaganda como essenciais e relevantes à atividade
de uma empresa do comércio varejista de eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
O fiscal tinha autuado a empresa por ter tomado créditos de PIS
e Cofins sobre a aquisição de serviços de propaganda e publicidade, sem que
exista legislação especàfica sobre isso. Na ótica da fiscalização, essas
despesas não se enquadram no conceito de insumo, uma vez que não foram
aplicadas na produção de bens ou prestação de serviços.
Porém, a 1ª Turma da DRJ de Juiz de Fora, composta por auditores
fiscais da Receita, foi unânime ao anular a autuação em relação a essa tomada
de crédito. Decidiu restabelecer os créditos de tais despesas, que haviam sido
cancelados no auto de infração. Ainda cabe recurso para o Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
No julgamento, os auditores levaram em consideração o que foi
decidido no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o tema, em julgamento
repetitivo (REsp nº 1.221.170/PR). Segundo os ministros, é vinculante para a
Secretaria da Receita Federal do Brasil.
De acordo com o julgamento do STJ, do inàcio de 2018, deve ser
considerado insumo e, portanto, apto a gerar crédito, tudo o que for
imprescindàvel para o desenvolvimento da atividade econômica. Deve-se
considerar a essencialidade e a relevância do insumo da despesa – bem ou
serviço – para a empresa. A análise deve ser feita caso a caso, por depender de
provas.
O relator, Flávio Machado Galvão Pereira, ressaltou na decisão que as despesas com publicidade e propaganda “em um segmento altamente agressivo e competitivo como a que a impugnante atua, torna-se tão essencial, não só para a sua atividade, como a sua própria sobrevivência”�. (Processo 10540721182/2016-78).
Por Adriana Aguiar
Fonte: Valor Econômico