Depois de quase 20 anos, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR) ganhou uma nova versão com a publicação do Decreto nº 9.580/2018 no Diário Oficial da União nesta última sexta-feira, 23/11/2018, revogando o Decreto nº 3.000/99.
Com 46 artigos a mais, totalizando 1.050 artigos, a publicação cumpre a obrigação prevista no Código Tributário Nacional (CTN) de reunir toda a legislação tributária em um regulamento único, porém, ainda com uma defasagem temporal de quase dois anos, pois o novo Regulamento consolida a legislação publicada até 31 de dezembro de 2016, ou seja, mantendo ainda leis tributárias dos últimos dois anos de fora.
Ressaltamos que, importante marco atualizado no Regulamento foi a Lei nº 12.973, promulgada em 2014, que contempla a maior parte das alterações nas tributações da pessoa juràdica. Entretanto, esta mesma Lei já sofreu alterações importantes desde janeiro de 2017, que não foram contempladas pelo novo Regulamento, como por exemplo a Lei Complementar nº 160, publicada no dia 8 de agosto de 2017, que trouxe uma inovação ao alterar o artigo 30 da Lei nº 12.973, com a inclusão dos §§ 4° e 5°, extinguindo as discussões a respeito da classificação das subvenções em custeio ou investimento.
Em nosso entendimento, a Instrução Normativa RFB nº 1.700, publicada em março de 2017, que contempla a consolidação de nove Instruções Normativas, é o melhor “manual de orientação”� atualmente existente para o cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Juràdica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Làquido (CSLL), pois além de estar mais atualizada que o novo Regulamento, reproduz os dispositivos da IN RFB nº 1.515/2014 e incorpora os dispositivos relacionados à CSLL, que estavam na IN SRF nº 390/2004, além de dispor sobre a adoção inicial do regime tributário em observância aos arts. 1º, 2º e 4º a 71 da Lei nº 12.973.
Ademais, os Anexos I e II da IN RFB nº 1.700 discriminam de forma clara os principais ajustes (adições e exclusões) aplicáveis à s apurações do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, facilitando o entendimento quando da elaboração das bases de cálculo. Contudo, vale salientar que o contribuinte deve também observar as alterações posteriores à publicação dessa Instrução Normativa.